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O Desabamento em 5 Estágios

implosao-predio2O Desabamento em 5 Estágios

Uma pesquisa do americano Jim Collins identificou quais os caminhos as empresas seguem em direção ao fracasso total. Ele identificou 5 fases comuns que grandes empresas passam até o fechamento das portas ou até serem vendidas para outras organizações.

O sucesso sufoca o bom senso

Ser bem sucedido e poderoso é o que movimenta as pessoas e as empresas, contudo, isso pode acabar transformando um futuro brilhante em um fracasso anunciado, porque as pessoas descuidam do básico, tornam-se arrogantes e não enxergam a descida que está a sua frente. E descer a ladeira é rápido demais, desastroso e leva o trabalho de muitos anos para os livros de história contando sempre o passado glorioso, as conquistas incríveis e concluem com os erros cometidos, a tragédia anunciada e a letargia de quem estava no comando, vendo o mundo passar sem nenhuma reação, pois apoiado no passado, preferiram não planejar o futuro, crendo que o tempo de prosperidade voltaria.

Depois de perder mais de U$ 70 bi, já no fundo do poço, o ex-presidente da General Motors, Richard Wagoner, foi ao senado americano para passar o chapéu e iniciou seu discurso declarando “Estamos aqui hoje porque cometemos erros. Forças além do nosso controle trouxeram-nos ao limite”, uma demonstração clara da falta de bom senso que derrubou a GM, pois se não sabem quais foram os motivos, não conhecem o caminho para voltarem a prosperidade. Lembrando que no passado a empresa foi líder mundial do setor automotivo.

Crescimento a qualquer custo

O primeiro passo e o segundo tem uma ligação tão intensa que quase não dá pra definir qual viria primeiro. Quando o bom senso se vai e a arrogância prevalece, os gloriosos do passado estão cegos para o futuro e a primeira aposta que fazem é nos gastos desenfreados para ampliar as operações, conquistar a liderança do mercado, mesmo que isso custe o que a empresa não tem pra pagar. A arrogância domina o ambiente corporativo e chegar ao topo do mercado é o que interessa. Não se planeja nada, apenas se aposta, como se o empreendedorismo fosse um jogo de azar, o qual se ganha ou se perde por uma simples questão de sorte.

Risco? Que risco.

Quando os problemas da empresa são evidentes para o mercado, os que estão no comando costumam ignorar que o “desabamento” está próximo. Declaram publicamente que culpa é do governo, do mercado, dos processos, da concorrência, da globalização. Negam a existência dos problemas ou deficiências, muitas vezes porque não existe bom senso entre os bem sucedidos do passado. Ao chegar a este passo, a dor começará a bater a porta da administração, pois sem planejamento as ações diante do prejuízo também serão equivocadas, pois não sabendo onde o problema está os cortes serão nos lugares errados, trazendo novos problemas e ainda mais prejuízo.

O mágico

Quando tudo já está complicado, os credores a porta, os colaboradores desesperados, os clientes insatisfeitos, a concorrência dominando o mercado e o saldo da conta muito negativo, surge a figura do salvador da pátria. Normalmente alguém trazido do mercado a peso de ouro, com formação – indiscutivelmente – de primeira linha, histórico profissional surpreendente, com um currículo invejável, tem a missão de salvar a empresa. A ousadia das apostas aumenta e os milagres esperados são muitos. É como se o jogador falido, apostasse a “mãe” na última rodada.

E o vento levou…

“A Chysler, terceira maior montadora dos Estados Unidos, vai buscar a recuperação judicial para se reestruturar. O anúncio foi feito pela Casa Branca. A companhia também vai buscar uma aliança com a italiana Fiat. Os representantes do governo americano descreveram a recuperação da montadora como um processo “cirúrgico” e “suave”. O pedido de concordata será apresentado à Corte de Falências dos Estados Unidos em Nova York. Esta será a primeira vez que uma grande montadora do país recorre à recuperação judicial, desde a quebra da Studebaker, em 1933”. Esta notícia circulou no dia 30 de abril de 2009 por todo o mundo.

O relato da Crysler indica que o quinto estágio chegou. Não tendo mais fôlego financeiro, sem a confiança dos clientes, sem crédito no mercado a empresa sai de cena. Quanto mais tempo a empresa ficar no quarto estágio, mais fácil será sua morte. O restante de crédito que existia é gasto na última aposta. O “vento” levou a empresa e a história se encerra. O último sopro de esperança é ser vendida, caso contrário as portas serão simplesmente fechadas.

No caso da Crysler, a marca foi comprada pela italiana Fiat, que por muitos anos foi considerado o “patinho feio” das montadoras. É Davi comprando Golias.

Fabrício Vallim

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