Corrigir Pessoas e a Liderança

Corrigir Pessoas e a Liderança

 

Por Edson J. Araújo Filho

Na liderança sempre haverá necessidade de se ajustar processos e também de se corrigir pessoasCorrigir Pessoas é uma competência que pode ser conhecida e desenvolvida, tanto quanto o processo de correção de pessoas pode ser aperfeiçoado.

Corrigir faz parte da liderança

Marcela era uma excelente atendente de telemarketing. Pró-ativa, sempre batia suas metas e se dava bem com todos os colegas. Quando houve oportunidade, foi promovida para comandar uma equipe. Um desastre! Por seis meses a equipe não bateu as metas, aumentou o número de reclamações por mal atendimento e os atrasos dos integrantes da equipe aumentaram.

Antes de deixar a liderança Marcela confessou que não conseguia corrigir os erros dos colegas da equipe por receio de perder a amizade. Tinha dificuldade de lhes chamar a atenção ou corrigi-los. Sempre estava à espera de um bom momento para levar a cabo a conversa com quem precisava de correção. Preocupava-se com a reação da pessoa: se ficaria brava ou chateada; se viraria a cara ou se perderia a amizade.

Quando se está em uma função de liderança, inevitavelmente haverá regras e metas a cumprir. Pressupõe, então, que haverá a necessidade de dirigir ou conduzir a equipe para atingir o objetivo. Que, naturalmente, haverá necessidade de ajustar processos e também de corrigir pessoas, seja por não estarem alinhadas aos objetivos ou por não alcançarem suas metas individuais ou atrapalharem as metas da equipe.

Todo líder precisa saber lidar com a necessidade de corrigir pessoas. Todavia, não é incomum encontrar gestores que não sabem como agir diante da necessidade de corrigir alguém.

O que é corrigir?

Corrigir vem do latim: corrigere. Tem o significado de “colocar em ordem“, adequar, tornar certo“.

Em sua origem foi formada pela preposição com (no sentido de junto) adicionada do verbo reger (no sentido de guiar, comandar). Então, o sentido da palavra corrigir, originalmente, era “junto tornar certo” ou “junto adequar“.

Como líder, é preciso compreender que não haverá correção se não houver um espírito de cooperação com quem erra. Cooperação para que tanto quem errou quanto quem foi prejudicado pelo erro entendam o motivo da falha e discutam a melhor maneira para evitar que se repita. Ou seja, juntos busquem soluções para adequar os resultados ao planejado.

Corrigir Pessoas

Quando algo não está dando certo, identificar o erro não é algo tão difícil. Se foi um computador que deu pane, uma peça que quebrou ou uma lâmpada que queimou se resolve com uma troca. Se o processo está com erro, pode-se ajustar ou consertar o processo. Mas e quando alguém comete um erro, o que fazer. Temos, então que corrigir a pessoa.

O processo de correção será produtivo quando a confiança mútua, gerada pela cooperação entre todos, criar uma atmosfera em que uma crítica será dita de forma construtiva ao outro, de tal forma que não seja recebida como insulto ou ofensa.

Corrigir ou Disciplinar?

Gustavo, presidia uma importante companhia e Julia era sua secretária. Em uma reunião, Gustavo pediu que Júlia sentasse ao seu lado porque poderia precisar de algo. Mas na medida em que as pessoas chegavam Júlia fazia às vezes de anfitriã, colocando-se à disposição para ajudar a se acomodarem. Na terceira vez em que Júlia se ausentou, Gustavo falou alto e de forma deselegante: “Júlia, eu falei que quero você aqui. Se for pra ficar indo e vindo toda hora, não precisarei mais de você. Você está aqui para me atender!”. Além do desconforto da situação e da má impressão que causou de si mesmo, Gustavo demonstrou não ter habilidade para corrigir pessoas, embora parecesse ótimo em disciplinar.

Disciplinar é impor a ordem, submeter às regras por meio de autoridade ou punição. Não se pode confundir corrigir pessoas com disciplinar pessoas, associando o erro a algum tipo de punição, ainda que aparentemente inocentes. Ao agirem assim, líderes tornam seus liderados como ratos de laboratórios que levam choque quando não realizam a tarefa de forma correta, sem que lhes sejam explicado onde e porque erraram.

Equivocadamente, há líderes que ao perceberem o erro de alguém decidem por um castigo e não por uma correção. Punem o infrator, pensando que assim o estão corrigindo. Isso não dá certo, geralmente causa revolta e, não raro, desejo de vingança.

Escolher o método da disciplina pode se tornar mais infeliz porque muitos castigos impostos são aparentemente leves, como uma pequena bronca na frente dos outros ou uma frase que camufla humilhações, mas que ao se acumularem podem ser entendidas como assédio moral.

Se os erros são constantes e você fez sua parte na tentativa de de corrigir, é melhor demitir a correr o risco de uma ação trabalhista depois.

A competência Corrigir Pessoas

A competência Corrigir Pessoas tem a ver com a capacidade de enfrentar questões controversas ou difíceis causadas por erros, falhas ou posturas inadequadas das pessoas em relação aos objetivos, regras ou metas da empresa. No caso da Marcela, ficou claro sua falta de coragem para enfrentar as questões.

Corrigir Pessoas é também a capacidade fazer esse enfrentamento de forma objetiva e não emocional, fornecendo uma crítica construtiva ao outro, de tal forma que não seja recebida como insulto ou ofensa, mas como uma ação de correção. A falta de objetividade e distanciamento emocional foi o problema de Gustavo.

O líder que sabe corrigir pessoas é consciente que o distanciamento emocional e a objetividade o ajudarão a avaliar o quadro geral e definir o processo adequado de correção, tornando o enfrentamento menos dolorido.

O processo  de Corrigir Pessoas

A seguir, apresentamos 11 sugestões para ajudar no processo de corrigir pessoas com mais eficiência, tornando mais fácil enfrentar esse momento delicado:

1 – Não demore para corrigir

Demorar muito para tomar a ação de corrigir é ruim para você e para quem você vai corrigir. É verdade que esperar um pouco acalma os nervos quando o erro causou um problema muito sério ou grave. Mas demorar demais pode ser ainda mais prejudicial.

2 – Seja objetivo e claro

Seja claro, evitando rodeios e ou longas introduções, do tipo: “você sabe porque te chamei?” ou “ então, eu nem sei por onde começar…você sabe que admiro seu trabalho…”.

3 – Seja realista

Seja realista. Não fique aumentando o problema com frases como “e se tivesse acontecido isso?” ou “seu erro poderia ter causado aquilo”. Diga, de fato, qual foi o erro e quais as consequências que aconteceram.

4 – Ouça

Provavelmente você já conheça tudo em relação ao problema, por isso aqui o objetivo é ouvir e entender como a pessoa está se posicionando, especialmente se ela entende as consequências e como se vê enquanto protagonista do problema. Por exemplo, se reconhece e se desculpa pelo ocorrido.

5 – Convença em vez de impor

Não tente provar que a pessoa errou. Provavelmente ela já sabe, porém pode ainda não estar convencida da culpa. Por isso, apresente argumentos sólidos que induzam a reconhecer e assumir a culpa. Não por constrangimento, mas por convencimento. Perguntas como “qual seria a reação adequada de alguém no seu lugar?” ou “que outra alternativa você teria para agir diferente com o cliente?” podem ajudar a pessoa a refletir sobre o problema.

6 – Motive

Especialmente se a pessoa reconhece seu erro, motivá-la será bem-vindo, pois demonstrará a ela que você enxerga seu potencial e suas qualidades e que apesar do erro, ela continua sendo importante para o time.

7 – Apoie

A correção, como já dissemos, deve prezar pelo “juntos tornar certo”. Então garanta, sinceramente, seu apoio para a pessoa fazer certo. Coloque-se à disposição para apoiá-la com orientações em caso de dúvida, por exemplo. Oferecer suporte a quem errou é o primeiro passo para “tornar certo”.

8 – Ajude na solução

Sem demonstrar presunção ou que é o sabe-tudo, coloque-se à disposição para ajudar a pessoa a encontrar uma solução para o problema. Incentive que ela sugira algumas alternativas e faça-a pensar sobre as consequências ao adotar as propostas. Se discordar da proposta, use exemplos onde soluções semelhantes não tiveram êxito. Mas demonstre aprovação se a ideia lhe parecer boa e discuta como implementá-la.

9 – Seja discreto

Na medida do possível, faça de tudo para não expor o erro da pessoa, muito menos o momento em que você a estiver corrigindo. Esse é um momento seu e da pessoa, exceto se for extremante necessário haver mais pessoas como testemunhas.

10 – Peça uma devolutiva

Após a conversa, peça uma devolutiva (feedback) da pessoa sobre o que ela achou da conversa, dando liberdade para ela expor como realmente se sentiu enquanto conversavam. Será importante para você sentir se a forma como você conduziu a conversa atingiu o objetivo ou não.

11 – Valorize

Se você atingiu o objetivo, levando a pessoa a refletir, reconhecer e aprender com o erro, valorize a capacidade dela de responsabilizar-se pelas próprias ações – uma competência importantíssima na carreira.

 

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Sucesso!