O Autocontrole na Liderança

O Autocontrole na Liderança

Por Edson J. Araújo Filho

Somos Emocionais

Maridos não gostam de fazer compras, especialmente aquela compra do mês de duas horas no mercado! Eu tenho esse mesmo defeito. Porém, com um agravante: irritava-me começar a tirar as compras do carrinho e a Ana Paula, minha esposa, usar a frase “Amor, eu vou buscar uma coisa que esqueci e já volto. Pode ir passando a compra. É só um minuto”.

O estrago estava feito. Algo ligava dentro do meu cérebro e eu já pensava: “Vou passar as compras, a moça do caixa vai perguntar se pode fechar a conta e eu vou ficar aqui feito bobo enquanto todas as outras pessoas na fila ficarão me olhando com cara de poucos amigos”. Eu dizia para ela Ana Paula, já irritado: “Se eu terminar de passar a compra e tiver que pagar, não vou esperar você chegar com esse frango”.

Geralmente ela voltava antes de eu passar os últimos cinco produtos. Mas a coisa era tensa! Não preciso dizer quantas vezes voltávamos para casa em uma discussão tola por conta de cinco minutos a mais no caixa. somos emocionais e o autocontrole faz diferença no momento em que as emoções estão à flor-da-pele!

Reação destemperada

Em um encontro de líderes empresariais, comandada pelo presidente do grupo, propôs a discussão de um tema polêmico. As discussões se tornaram acaloradas. Para acalmar os ânimos, o presidente começou a apertar insistentemente a campainha. Como não houve resposta, ele começou a esbravejar: “Vocês não sabem que educação se traz do berço? Seus pais nunca ensinaram isso a vocês?”. Obviamente que as atenções se voltaram para ele e o barulho cessou. Então ele continuou a falar em um tom e discurso de mãe zangada dando bronca no filho que fez “arte”. Foi ríspido e mal-educado com os participantes. Tudo porque a situação tomou um rumo inesperado e ele não teve autocontrole em nível suficiente para lidar com a situação, e suas reações espelhara suas emoções de raiva e estresse. Foi pior a sua atitude do que a dos outros. Nos dias seguintes o assunto nas rodinhas era o “chilique” do presidente.

Ele sentiu-se tão incomodado com a forma como o grupo estava se comportando que isso mexeu com suas emoções internas de tal forma que ocorreu uma reação destemperada. Em outras palavras, sua falta de autocontrole. E esse é exatamente o ponto que precisa ser analisado – a capacidade de manter seu nível de reações inalterado (ou pouco afetado) pela emoção ou ações externas, ainda que suas emoções internas estejam um turbilhão.

Autocontrole

Autocontrole é evitar que uma situação afete negativamente suas emoções internasao ponto de perder o controle sobre as suas ações e reações decorrentes da situação em questão.

Com um nível adequado de autocontrole, aquele líder seria menos suscetível a uma reação destemperada, apesar de sua irritação e, por consequência, reagiria de forma que minimizasse o estresse e não o contrário. Com baixo autocontrole, o resultado foi a perda da capacidade de encontrar formas racionais de contribuir para a solução do problema sem criar mais tensão. O autocontrole não esconde o problema, afinal ele é real. Porém, evita que se coloque mais água na fervura. Autocontrole não significa menor ou maior sutileza nas ações, mas usar a ação adequada e proporcional à situação, com menor grau de interferência das ações.

No mundo corporativo, o autocontrole é uma competência importantíssima para quem exerce função de liderança. O líder com um bom nível de autocontrole manterá suas emoções controladas mesmo sob a influência de uma situação estressante. Não se quer dizer aqui que o líder será frio e sem sentimentos. Ele certamente, diante de situações estressantes, sentirá emoções fortes (medo, raiva, vergonha…), mas apesar disso, continuará tendo controle de si e consciência da situação, buscando uma forma racional e equilibrada para lidar logicamente com ela, independentemente das reações e das emoções das pessoas à sua volta. No exemplo acima, uma solução poderia ser chamar um intervalo na reunião para que os ânimos se acalmassem.

Líder com Autocontrole

O ponto é que se o líder tem um tem nível adequado de autocontrole conseguirá minimizar os efeitos das suas emoções ao avaliar a ação a tomar. Do contrário, estará demasiadamente afetado pelas ações e emoções dos outros, reagindo com base nelas. Em outras palavras, às vezes a emoção nos faz ter vontade é dar um murro na cara, mas o autocontrole nos faz dar apenas uns tapinhas nas costas e dizer “depois conversamos com mais calma. Agora, não”.

Há pessoas que possuem um nível de autocontrole tão baixo que apenas vislumbrar uma situação hipotética, que talvez nunca se concretize, ou pensar sobre como as pessoas reagirão ou se sentirão sobre algo, já as faz perder o controle de suas emoções e reagir com medo, raiva, ou até mesmo ficarem sem reação alguma.

Controlando o Jogo

Usando um jogo de futebol como exemplo, o líder precisa ser o árbitro da final do campeonato que, mesmo com a pressão dos jogadores e da torcida do time que joga em casa, mantém a compostura e racionalidade para aplicar as regras do jogo, não importando quão tensa está a partida ou quanta pressão esteja sofrendo.

Muitas variáveis podem alterar as emoções das pessoas em determinada situação. Ainda usando o exemplo do futebol, um gol a favor do time da casa ou contra, uma expulsão de jogador ou uma falta não marcada, pode mudar completamente o sentimento e atitude das pessoas. O líder precisa ter um nível de autocontrole que o deixe mais estável frente às mudanças na situação. É isso que os liderados esperam.

A forma como uma situação é vista claramente é afetada pelo nível das emoções. As emoções amplificam ou minimizam o problema. Em situações críticas as pessoas esperam de seus líderes uma reação capaz de equilibrar a imagem da situação causada pela emoção que elas estão vivenciando com a imagem real da situação e, com lucidez, definir as ações para solucionar o problema. O autocontrole ajuda a manter a visão do problema mais próximo de como ele realmente é – por pior que seja – sem perder a condição de fazer uma avaliação racional em busca da solução e a capacidade de executar as ações necessárias.

Autocontrole é um atributo que pode ser exercitado

Sem passar pelo crivo do autocontrole as ações escolhidas para resolver o problema podem ter um efeito desastroso para o grupo, para o líder ou para ambos. É fácil? Não. Por isso o autocontrole deve ser um exercício contínuo.

Eu continuo não gostando de ouvir a frase fatal quando vamos ao mercado. Porém, tenho exercitado o autocontrole, pois o fato é que mesmo ficando irritado, não preciso estragar meu dia (ou noite!) por isso. A questão não é deixar de sentir o quanto e como a atitude dos outros lhe afeta. Mas decidir o que fazer em razão disso de forma adequada. Sem que as emoções falem mais alto do que a razão.

A boa notícia é que o autocontrole é um atributo que pode ser aperfeiçoado, mas é preciso conhecê-lo e em que nível ele está presente em você.

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Sucesso!