Tomada Equilibrada de Decisões

Tomada equilibrada de decisões

Um dos maiores desafios na liderança é ser justo ao tomar decisões, especialmente quando está relacionada a algum processo de julgamento como, por exemplo, quando a decisão a favor ou contra uma demissão, a favor ou contra uma promoção.

Justiça, Razão e Emoção

Na mitologia grega, duas deusas estão ligadas à noção à justiça e ao cumprimento da lei: Têmis e Dice.

Filha de Têmis, Dice era a vingadora das violações da lei. Quando um juiz não julgava com estrito cumprimento da lei, desta forma violando a justiça, Dice imediatamente levava o assunto para Zeus, seu pai, exigindo punição ao infrator. Para Dice o mais importante era o estrito cumprimento da lei e da justiça. Em uma das mãos empunhava a balança, símbolo da justiça. Na outra, a espada, símbolo da força para fazer valer o direito.

Têmis era responsável por zelar pelo equilíbrio entre a razão e o julgamento, buscando “a unidade mais que a multiplicidade, a totalidade mais do que a fragmentação, a integração mais do que a repressão, revelando o princípio operado pela a lei do amor”. Têmis exercia um importante papel de conselheira para Zeus, que era seu marido.

Justiça no Mundo Corporativo

O mundo corporativo requer dos líderes sabedoria para harmonizar os papéis de defensor das regras corporativas (Dice) e o de equilibrar a razão e a justiça (Têmis). Por um lado, exigir de si e dos liderados o cumprimento das regras da empresa. De outro, avaliar o quanto a rigidez no cumprimento ou eventuais concessões podem colocar em risco a ordem interna e a autoridade.

Tomada equilibrada de decisão é a capacidade de ser objetivo e avaliar de forma justa os diferentes aspectos de uma situação, e tomar uma decisão ética que leve em consideração todos os fatores e componentes, equilibrando as próprias necessidades, as dos outros e as da empresa ao tomar decisões. Em outras palavras, ser um líder justo ao tomar decisões.

Enquanto competência comportamental, um exemplo da importância que a tomada equilibrada de decisão tem no dia-a-dia da empresa é quando se tem que decidir entre a permanência ou demissão de um colaborador com alto conhecimento técnico e que resolve os problemas que sua função exige, mas que não segue as regras comportamentais da empresa, como horários e relacionamento com a equipe, por exemplo. Demitir ou não?

Como outras competências comportamentais, a tomada equilibrada de decisões pode ser aprimorada. A Escola EDTI elaborou uma lista de oito sugestões práticas para dar fundamentos para a tomada de decisão assertiva, que apresentamos a seguir:

1 – Pesquise o contexto a fundo

Mesmo que você pense que conhece bem a situação, não se engane: uma pesquisa aprofundada sempre poderá revelar surpresas e alguns aspectos essenciais para que a sua decisão seja assertiva.

2 – Projete as diferentes opções no futuro

Diante das opções existentes em uma situação de tomada de decisão, é importante não decidir de imediato. Procure analisar as opções conforme o contexto no qual está inserido e, a partir disso, projetá-las no futuro. Pense e sistematize os possíveis desdobramentos dessas opções em curto, médio e longo prazo, vendo, realmente, os prós e contras de cada opção.

3 – Escute as pessoas e o ambiente

Tanto o meio quanto as pessoas que fazem parte dele podem apontar informações e percepções úteis para otimizar sua tomada de decisão. Ouvir outras opiniões e pontos de vista não quer dizer ser dependente da visão alheia e nem se apoiar apenas no que o outro diz. Escutadas de forma crítica, opiniões de fora podem auxiliar no enriquecimento da sua decisão.

4 – Treine o seu discernimento emocional

Como somos humanos, é impossível não se envolver de formas distintas com pessoas, contexto, ideias, dentre outras questões. Dessa forma, é comum cultivar simpatias e antipatias sobre as quais, no cotidiano, não temos o hábito de refletir e questionar.

Não seja presa dos seus preconceitos emocionais, pois eles podem prejudicar a qualidade da sua tomada de decisão, principalmente em ambientes profissionais.

Uma pessoa que é capaz de “separar o joio do trigo” não só é mais respeitada pelos outros, como conseguirá obter os melhores resultados possíveis em suas ações.

5 – Conheça os limites da realidade

Não existe melhor opção fora de um contexto. Uma decisão será realmente boa, não quando opta pela proposta mais sedutora, mas quando opta pela proposta mais adequada à realidade. Chegar-se-á mais próximo da realidade quanto mais se pesquisar o contexto, como vimos na primeira sugestão. A realidade delimitará os limites da realidade para a tomada de decisão, considerando aspectos como recursos humanos e financeiros, prazos e objetivos. A partir dessa delimitação será possível discernir a decisão ideal da possível.

6 – Tenha sempre um plano B

Nenhuma decisão é imune aos imprevistos. No entanto, muitos desses “imprevistos” podem ser mensurados a partir de um estudo aprofundado do contexto. Crie hipóteses de possíveis imprevistos e problemas e as experiências anteriores. Considerando essas probabilidades, crie um plano B que permita adequar a sua tomada de decisão, no caso dessas ocorrências.

7 – Deixe a criatividade fazer parte da sua tomada de decisão

Para que uma tomada de decisão seja segura, assertiva e bem-sucedida, ela não precisa ser “quadrada”. Sair da curva, na verdade, pode ter efeitos surpreendentes e contagiar as pessoas com um novo ânimo, ainda que venha da tensão em estar diante de um desafio.

8 – Seja consistente e perseverante

Ao tomar uma decisão, tenha certeza de que tem disposição de persistir nela, mesmo diante de dificuldades, obstáculos e intempéries. Mudar de ideia pode até ser bom, mas isso não deve ser feito sem cautela. Tenha atenção a esse fator para que não corra o risco de ser visto como uma pessoa inconsistente, que volta atrás em sua palavra diante do primeiro entrave. Quando você toma uma decisão, sua imagem pessoal também está em jogo.

EXTRA

Junto às oito sugestões da Escola EDTI mais uma:

9 – Dê o exemplo

Estar em uma posição de liderança não pode ser visto como um passaporte para fazer o que os liderados não podem. Pelo contrário, deve ser uma posição de exemplo de como se deve agir de acordo com as regras da organização. Não tome decisões que possam ser interpretadas como casuísmo ou favorecimento para si ou para os outros.

Espero que esse artigo tenha sido útil para você.

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Sucesso!