A Flexibilidade no dia-a-dia profissional

Flexibilidade

Por Edson J. Araújo Filho

Em um ambiente de constantes mudanças como você reage? A flexibilidade pode ajudar você a alavancar a carreira. Depende de como você a compreende e o quanto você conhece seu nível de flexibilidade.

Mari é uma jovem profissional que atua como gestora de um serviço de recrutamento. O serviço utiliza um sistema para cadastrar interessados em oportunidades de emprego. Quando a equipe de TI sugeriu fazer mudanças no sistema para melhorar a qualidade das informações estatísticas coletadas, pediu a Mari que indicasse algumas alterações que julgasse necessárias. A resposta foi enfática: “Não precisa mudar nada. Deixem como está”. “Por quê?”, perguntaram. “Porque não vai funcionar, vai dar muito trabalho e minha equipe já está acostumada com o sistema como está e já sabem como é o processo. Eu conheço minha equipe. Está ótimo assim”. Mari revelou na sua reação um baixíssimo nível de flexibilidade.

A preocupação de Mari era com o quanto de esforço seria exigido para adaptar-se ao novo sistema e qual dificuldade ele traria ao processo de cadastro dos candidatos. Nem pensou que a reunião ainda estava na fase de coleta de sugestões de melhorias.

Conceito

Flexibilidade é a capacidade de integrar, modificar e responder com facilidade às mudanças com mínima resistência pessoal.

Analisemos a situação apresentada com base em quatro premissas apresentadas na definição de flexibilidade:

Integrar

A flexibilidade pressupõe integração e tem a ver com a visão estratégica da proposta de mudanças a curto, médio e longo prazos. Tem a ver também com a capacidade de ver o todo e não apenas a “sua parte” e de participar diretamente do processo de estudo da mudança e avaliação dos seus impactos. Ao rejeitar de bate-pronto a sugestão da equipe de TI, Mari deu o recado: “Me inclua fora dessa”. Ou seja, “não tenho a menor intenção de me integrar a nenhuma equipe, a nenhum processo ou estudo que tente mudar minha rotina ou a de minha equipe de trabalho”. Esse é um risco muito alto que Mari decidiu correr na carreira, na medida em que uma empresa cada vez mais é reconhecida como um organismo único, onde cada setor interage com os demais de forma sistêmica.

Modificar

Essa característica da flexibilidade tem a ver com a disposição de contribuir para as mudanças.

A flexibilidade estará sempre ligada à necessidade de mudar ou modificar algo em que seremos afetados – podendo ser, inclusive, algo em nós. Isso não é fácil. Mas quase sempre necessário. Porém, temos muita resistência em aceitar modificações, principalmente se formos nós que as tivermos que fazer ou se elas nos afetarem de forma direta e intensa.

Em boa medida, profissionais cumprem com a primeira premissa – integrar – mas não cumprirem com a segunda – modificar. Isso também é um perigo porque se nos integramos mas não participamos do processo de mudança só haverá dois caminhos possíveis. Ou agiremos com descaso, passando apenas a ser mais um na multidão, sem nenhuma contribuição para o processo. Ou, o que seria extremamente péssimo, participaremos do processo de sabotagem da mudança.

Responder

Eu associo o termo “responder” dessa premissa a dois conceitos. Primeiro, ao conceito de participação. Ou seja, de participar das mudanças de forma direta e no devido tempo. Em outras palavras, não procrastinar o inicio da mudança e dessa forma, ter condições de dar feedback sobre o impacto que a mudança causou – esse é o segundo conceito.

Já vi muitos projetos e boas ideias deixarem de ser usadas na empresa simplesmente pela procrastinação causado por pessoas, às vezes setores inteiros. Essa é uma forma mais dissimulada de sabotagem.

Resistência Pessoal

Esse premissa é extremamente importante porque personifica o assunto, mostrando que a flexibilidade não é impessoal. Pelo contrário, é muito pessoal. Você sempre vai ouvir que alguém não é flexível. Alguém não abre mão.

Praticar a flexibilidade é trabalhar para que as três premissas anteriores auxiliem a reduzir a resistência pessoal e natural que temos em relação à mudança.

Quando conseguimos enxergar os motivos (ou estratégia) que levam à necessidade da mudança, mais fácil será nossa integração. Nossa integração nos levará a uma participação mais efetiva no processo. Nossa participação tornará mais compreensível e aceitável mudanças que nos afetam. E por fim, tudo isso junto nos ajudará a responder mais rápida e abertamente ao processo e resultados da mudança – com o mínimo de resistência.

Flexibilidade na Liderança

No caso de Mari, a falta de flexibilidade é um problema que se agrava na medida em que ela é a líder do seu setor. Uma liderança que não demonstra flexibilidade para com seus colegas e superiores será flexível em relação a seus subordinados? E o inverso disso?

Geralmente os líderes esperam flexibilidade dos liderados, mas nem todos são flexíveis para com estes. Liderados que enxergam flexibilidade no líder tendem a ser mais fiéis a ele e a contribuírem mais.

Muitos líderes confundem flexibilidade com fraqueza. Se usada adequadamente, a flexibilidade não é fraqueza, mas consequência de outro atributo muito importante na liderança – a capacidade de ouvir pessoas. Sobre essa competência falaremos noutro post.

Como você reage às necessidades de adaptação que acontecem no seu dia-a-dia? E como líder, você tem dado espaço à flexibilidade?

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Sucesso!